VIDEO: 11 de Junho 1955 e o pior acidente da história do automobilismo nas 24h de Le Mans
Estávamos em 1955, a competição no campeonato do mundo de resistência era acesa entre afamados construtores de carros desportivos. Nesse ano, o cronómetro era disputado por máquinas como Maseratis, Mercedes, Jaguar, Ferrari e Aston Martins, e por pilotos lendários como Mike Hawthorn, Peter Collins, Paul Frére, Duncan Hamilton, Juan Manuel Fangio e Stirling Moss (que repartiam a condução de um dos Mercedes 300SLR oficiais), Maurice Trintignant, e Colin Chapman entre tantos outros.

Era a 23ª edição e disputou-se entre 10 e 11 de Junho de 1955. Mais uma edição de uma corrida com contornos únicos no panorama automobilístico, factor que ainda hoje continua a tornar o circuito de La Sarthe um local de rumagem de cerca de meio milhão de pessoas anualmente e a atraír milhões de espectadores espalhados pelo mundo através da televisão, sem descurar o interesse de pilotos e construtores de participarem nesta corrida, por muitos vista como o desafio mais exigente do desporto autmóvel.
O francês Pierre Levegh, piloto inscrito pela Daimler Benz AG depois de na edição de 1952 ter dado nas vistas por ter pilotado ao longo de 23h seguidas (algo impossível nos termos dos regulamentos de hoje) tendo desistido na última hora de corrida quando o seu Talbot viu o motor ceder, quando era líder com 4 voltas de vantagem. Ao volante de um Mercedes Benz 300SLR, igual ao de Fangio e Moss , carro que partilhava com o americano John Fitch, Levegh viria a ser a principal vítima de um acidente que causaria a morte a 82 espectadores e ferimentos em mais de uma centena. Depois de ter evitado uma manobra menos previsível do Austin Healey de Lance Macklin na entrada da recta da meta e junto ás boxes, Levegh viria a perder o controlo do seu flecha de prata, que colidiria ainda com um morro e que causaria a projecção para uma das bancadas do circuito. O piloto viria a morrer de forma instantânea com o crânio esmagado, depois de ter sido projectado para fora do seu carro de corrida.
Juan Manuel Fangio, que seguia no carro imediatamente atrás de Levegh viria a confirmar que Levegh lhe havia poupado a vida, quando embateu no Austin Healey de Macklin, confirmado através de um gesto efectuado com a mão pelo francês, instantes antes da sua trágica morte.
A corrida viria a prosseguir de forma normal, sem a presença dos dois Mercedes restantes em prova e que lideravam aquando da solidária desistência em homenagem ao seu piloto entretanto falecido e aos espectadores, já que a organização e como forma de prevenção da deslocação de uma multidão movida por uma sádica curiosidade que poderia comprometer a operacionalidade dos meios de socorro aos feridos.
Este acidente viria a iniciar um processo evolutivo nas corridas em prol da segurança, quer dos pilotos quer dos espectadores, bem como a ditar o abandono de certas equipas como a Mercedes que se ausentou das competições a nível oficial por mais de três décadas. O governo suiço proibiu igualmente as provas com mais do que um carro simultaneamente em pista, proibição essa que foi levantada apenas em 2007.