A GNR anunciou recentemente a sua intenção de querer mais radares nas estradas portuguesas a fim de combater o excesso de velocidade (apontado como a principal causa da sinistralidade rodoviária no nosso país). A medida fez já erguer vozes de protesto por parte da Associação de Profissionais da Guarda(APG | GNR) e também da ACAM (Associação dos Cidadãos Auto Mobilizados).
Avaliando as estatísticas da sinistralidade, e ouvindo também as declarações de soldados da GNR aquando a ocorrência de acidentes a causa apontada recai sempre sobre o excesso de velocidade, mas será esta a principal causa real dos muitos acidentes que mancham as nossas estradas e enlutam diversas famílias?
As peritagens aos acidentes em Portugal são ainda escassas e raras, sendo frequente passarmos por um acidente e vermos os polícias recorrerem apenas à fita métrica para avaliarem as verdadeiras causas dos acidentes. Sem elementos concretos que consigam sustentar processos de investigação bem constituídos, os agentes da autoridade são levados a avaliar um reduzido conjunto de factores (grau de alcoolémia dos condutores, presença de estupefacientes ou substâncias psicotrópicas no sangue dos automobilistas ou o mais que gasto argumento do excesso de velocidade). Verificando-se este quadro de avaliação dos acidentes, ficam de fora condicionantes importantes e de fácil constatação como a presença de lençóis de água, presença de óleo ou combustível no pavimento, falha de algum componente mecânico do veículo ou até mesmo a degradação do pavimento, factores que se encontram com demasiada frequência nas estradas de norte a sul do país e que largamente contribuem para o aumento da sinistralidade rodoviária. Em suma, a causa EXCESSO DE VELOCIDADE serve para classificar todos os acidentes que os agentes da autoridade não consigam inserir nos outros argumentos, assim sendo, seremos sempre aos olhos dos governos um país de aceleras e maus condutores!
POLICIAMENTO REPRESSIVO E A CAÇA À MULTA
Para José Manageiro e Manuel João Ramos, responsáveis da APG | GNR e da ACAM, em Portugal ainda não é frequente o policiamento ser efectuado de forma não repressiva, ou seja, apenas o mero patrulhamento que faça sentir que os condutores não se encontram sozinhos na estrada. José Manageiro vai até mais longe, em declarações ao Jornal da Noite da SIC (pode ver o video abaixo), referia que a principal causa desta estratégia do governo não se prendia de facto com a redução da sinistralidade (sustentando igualmente a nossa argumentação relativamente às causas dos acidentes), sendo no entanto intenção do governo discursar de forma pomposa e galante sobre o aumento dos autos levantados e das sanções aplicadas, como se essa fosse a verdadeira causa da redução da sinistralidade.
Quem viaja certamente reconhece o policiamento efectuado na vizinha Espanha, em que o agente da autoridade é visto como um amigo e um auxílio presente na estrada, deixando de parte as colossais diferenças em termos de qualidade da rede viária e da respectiva sinalização. Portugal perde assim de forma lamentável cada vez mais terreno para a Europa, focando-se quase exclusivamente numa estratégia de repressão e de polícias escondidos atrás dos postes à espera de alguém para autuar, o que tonifica os argumentos de que somos um país cada vez mais atrasado.
