No passado fim de semana teve lugar mais um Grande Prémio do Brasil, corrida decisiva para a obtenção do campeonato mundial de constructores para a Ferrari, e envolta em polémica com a possibilidade da equipa arriscar uma táctica de equipa para beneficiar o espanhol Fernando Alonso em detrimento do brasileiro Felipe Massa.

Mas o Grande Prémio do Brasil, disputado no circuito de Interlagos ficou marcado pela obtenção do melhor tempo pelo jovem piloto da Williams Nico Hulkenberg.

Nico Hulkenberg, alemão de 27 anos, foi o 11º piloto da história da F1 a conseguir a Pole Position (partir do primeiro lugar da grelha) no seu ano de estreia na F1, sendo assim considerado Rookie, ou estreante.

O primeiro piloto a conseguir tal proeza foi Eugenio Castellotti, não considerando os registos de Juan Manuel Fangio e Giuseppe Farina em 1950 já que na altura ainda não estava instituído um Campeonato do Mundo de Pilotos. Castellotti tinha 25 anos, quando no Grande Prémio da Bélgica de 1955 e ao volante de um Lancia Ds50 2.5V8. Castellotti viria a falecer dois anos mais tarde ao volante de um Ferrari num teste no autódromo de Modena com vista à participação nas 12h de Sebring (EUA). Responsáveis da equipa pediram a Castellotti que andasse mais depressa com vista a subir a velocidade média por volta, o italiano não conseguiu, sofrendo um violento despiste contra um dos muros de protecção do circuito, tendo o seu corpo sido projectado depois da colisão e dos sucessivos capotamentos para mais de 90m do carro.

Dois anos mais tarde seria a vez do britânico Stuart Lewis-Evans, no grande prémio de Itália conseguir a pole position na sua sexta participação na F1 ao volante de um Vanwall Straight 4. Stuart Lewis Evans contava 27 anos, e viria a falecer com 29 num acidente no Grande Prémio de Marrocos de F1.

Chegado à F1 coroado de glória com os triunfos nas motas (três títulos mundiais consecutivos em 350cc e 500cc simultaneamente), John Surtees, foi convidado a testar um F1 em 1960. Alinhando com um Lotus 18, o britânico seria o mais rápido das qualificações no Grande Prémio de Portugal, o terceiro da sua carreira. Surtees chegaria a ser campeão do mundo de F1 em 1964 aos comandos de um Ferrari, o que o tornaria no único piloto a tornar-se campeão do mundo de 2 e 4 rodas.

Preenchendo o lugar deixado por John Surtees em 1966 na Ferrari, Mike Parkes, que se encontrava ligado à marca como engenheiro piloto de testes e responsável pelo desenvolvimento do Ferrari 330 GTC tendo igualmente colaborado na primeira metade da década de 70 no desenvolvimento do Lancia Stratos, seria o quarto piloto a conseguir a pole no seu quarto grande prémio ao volante de um Ferrari 312/66 no rapidíssimo traçado de Monza. O inglês apenas participaria em 6 grandes prémios.

Em 1968, Mario Andretti recém chegado à F1 e já com um título na Formula USAC (CART) dos Estados Unidos de onde é natural. Andretti, a jogar em casa no circuito de Watkins Glen, e na sua prova de estreia na F1 viria a conseguir a pole position, o que até hoje apenas 3 pilotos conseguiram. Mario Andretti alinhava com um Lotus 49B, equipado com motor Ford V8, e como piloto do Gold Leaf Team Lotus no seu ano de estreia. A Lotus seria a equipa que lhe viria permitir vencer o título de campeão mundial de F1 no ano de 1978, com um Lotus 78, depois de ter pilotado os monolugares da March, Ferrari e Parnelli.

No debute de uma nova década, 1970, Clay Regazzoni depois de ter conseguido uma vitória em Monza na sua quinta participação em provas de F1 ao volantes de um Ferrari F12, conseguiria a Pole  no seu oitavo Grande Prémio, desta feita, no México. O piloto suiço, depois do seu Williams se precipitar contra os muros do circuito em 1979 no Grande Prémio dos Estados Unidos fica paraplégico. Depois de ter guiado para as quase desconhecidas equipas Shadow e Ensign na F1, Clay Regazzoni abandonou a F1 em 1980 e faleceria em 2006 num acidente de viação numa autoestrada nas imediações de Parma.

Carlos Reutemann, conseguiria o mesmo feito de no seu Grande Prémio da Argentina, em 1972. O Grande Prémio de estreia de Reutemann, que teria lugar no Autódromo Oscar Alfredo Gálvez seria disputado num Brabham BT34 equipado com motor Ford Cosworth DFV V8, e decorado com as cores da equipa Motor Racing Developments. Reutemann, viria a pilotar para a equipa Ferrari, Lotus e Williams (onde terminou a sua carreira em 1982) e a sua passagem pela F1 não lhe traria nenhum título mundial apesar das suas 12 vitórias nos seus 10 anos de passagem pelo expoente máximo do desporto automóvel.

Segue-se na linha cronológica um jejum de 24 anos, até que surja um novo rookie, filho de campeão, e igualmente vindo da Fórmula Indy (uma espécie de Fórmula 1 americana disputada maioritariamente em pistas ovais). Estávamos em 1996, e Frank Williams havia recrutado o canadiano Jacques Villeneuve, filho do malogrado piloto Gilles Villeneuve, para companheiro de Damon Hill, também ele filho de um notável piloto (Graham Hill). No seu Grande Prémio de debute, o da Austrália disputado em Melbourne, desafia tudo e todos, e consegue a pole position para com 25 anos conseguir vencer o seu quarto grande prémio e chegar ao final da temporada como vice-campeão. Sendo que em 1997 conseguiria a consagração como primeiro canadiano campeão do mundo de F1.

à proeza de um rookie sobressair na primeira linha de partida de um Grande Prémio de F1 apenas seria repetida com Juan Pablo Montoya já depois da passagem do milénio. Em 2001, e recém campeão de Fórmula CART, o colombiano entrava no grande circo com a Williams. Dispondo de um carro competitivo e de uma enorme vontade de mostrar a sua rapidez, Montoya conseguiria a pole na sua 12ª participação, estando dois anos mais tarde (2003) na luta pelo título e mudando para a equipa McLaren Mercedes em 2005, de onde seria dispensado graças ao seu feitio sui generis ter colidido por diversas vezes com o director da equipa Ron Dennis. Montoya, virou-se então para a Nascar, onde ainda hoje participa.

Em 2007, e coroado com o título da GP2, Lewis Hamilton entra na F1 pela porta da McLaren, equipa com quem tinha já contrato desde os tempos em que participava em provas de karting. A primeira polesurge no Grande Prémio do Canadá, a sua sexta participação em provas de F1, o que se revelaria apenas uma confirmação para o público, já que vinha coleccionando uma série de lugares no pódio. No final da época, Hamilton chegou a discutir a vitória com Kimi Raikkonen, com o finlandês a levar a melhor conseguindo-se distanciar em 17pontos a 2 corridas do final da temporada. O britânico conseguiu o seu primeiro título, e até ao momento único, no seu segundo ano na F1 e sagrou-se no mais jovem piloto a conseguir o ceptro de campeão do mundo de F1. Lewis Hamilton foi ainda o 10º piloto a entrar para o restrito grupo de ter conseguido partir do primeiro lugar da grelha na sua época de estreia de F1.

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