Conhecida a situação económica dessa mega-potência mundial que é a China, inevitável falar da prosperidade que se vive no império do meio em termos de indústris automóvel, sendo este mercado o alvo dos maiores construtores mundiais (nipónicos, americanos e europeus).

Se o trânsito nas mega cidades de Pequim, Shangai e Guangshou está mais tranquilo em virtude de um plano de organização e ordenamento, nas segundas e terceiras cidades o ambiente que se vive é caótico, como por exemplo em Hefei, a Capital da província de Anhui.

Com uma população de 3 milhões de habitantes, Hefei tem cerca de 450 mil veículos na sua rede viária diariamente, de acordo com os números fornecidos pelas autoridades de trânsito locais. Já em Pequim, que tem uma população de 20 milhões (duas vezes a população de Portugal), circulam 4,5 milhões de automóveis, número que cresce diariamente na ordem dos 2000 carros novos.

A dificuldade no trânsito tem inevitáveis reflexos numa rede de transportes públicos, que compreende autocarros e taxis, saturada onde as mais evidentes consequências são os autocarros cheios e a dificuldade em conseguir um taxi livre, tal a emancipação dos cidadãos chineses perante o automóvel.

No final de Setembro de 2010, circulavam na China 199 milhões de veículos, dos quais 85 milhões de carros, de acordo com estatísticas elaboradas pelo Ministério da Segurança Pública chinês. Cerca de dois terços das cidades do páis (667 no total) sofrem de congestionamentos durante as horas de ponta, situação que alastra a zonas mais remotas do país como Urumqi e Lhasa no Tibete.

Na cidade central de Zhengzou, os automobilistas optam por os fazer circular por vias não destinadas a automóveis, obrigando já os muitos ciclistas a circularem pelos passeios, sendo muito frequente assistir-se a discussões no meio do trânsito dado o caos instalado em termos de ordenamento de tráfego.

Os congestionamentos de trânsito custam já ás 15 maiores cidades chinesas 1 bilião de yuan, 150 milhões de dólares, diariamente. Para quem vive nos arredores a vida é difícil, já que os habitantes periféricos das grandes cidades gastam mais 480 milhões de horas em termos comparativos com os Europeus no trajecto para o emprego, o que em termos de velocidade média se traduz nuns lentos 12km/h, a mesma média registada há décadas quando os chineses na sua grande maioria utilizava a bicicleta para ir para o emprego.

De Janeiro a Outubro de 2010, a China produziu 14,62 milhões de automóveis, um incremento de 34,5% anual, sendo que as projecções apontam para vendas na ordem dos 17 milhões até final de Dezembro de 2010.

Números megalómanos com os quais as autoridades chinesas lidam diariamente e que se traduzem em perdas de biliões de dólares diariamente por todo o país, daí que o governo chinês aponte como solução a implementação de impostos e subida de preços de combustíveis a fim de refrear a utilização individual do automóvel na China, já que as infraestruturas criadas nas cidades não tomaram em linha de conta esta importante consideração: lidar diariamente com milhões de automóveis, espartilhando as estradas muitas das vezes sem as imprescindíveis vias estruturantes a fim de escoar devidamente o elevado fluxo de tráfego.

Se habita no Porto e desespera com o número de carros na VCI, este é um bom indicador para se sentir mais feliz. Se mora em Lisboa, assista como poderia ser ainda mais difícil caso a capital estivesse localizada em território Chinês!

No maismotores.net pode ler como é o trânsito em Pequim, ou sobre o Grande Engarrafamento que demorou semanas a diluir!

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