Há menos de uma semana o mundo rendia-se à comemoração de um dos marcos históricos mais marcantes da história do séc. XX e da guerra fria: a comemoração do 50º aniversário do primeiro homem no espaço, o soviético Yuri Gagarin.

Nascido a 9 de Março de 1934, em Klushino (Rússia), Gagarin, provavelmente influenciado por um antigo professor de matemática e ciência que havia servido na Força Aérea Soviética durante a guerra e depois de ter estagiado como fundidor na indústria metalúrgica foi selecionado para o ensino secundário técnico na cidade de Saratov. Durante essa fase do seu percurso académico juntar-se-ia ao aero-clube regional onde aprendeu a pilotar um avião ligeiro, passatempo que iria ocupar de forma crescente o seu tempo. terminados os estudos secundários em 1955, Gagarin seria recruta da Força Aérea em Orenburg (onde conheceria a sua mulher Valentina com quem casou em 1957.

Em 1960 e depois de ter passado por uma sequência de processos de selecção física e psicológica Yuri Gagarin seria escolhido para participar no Programa Espacial Soviético, onde o seu empenho o levou a que fosse escolhido para ser o primeiro homem a ir para o espaço, numa época em que URSS e Estados Unidos disputavam a conquista espacial.

A bordo da nave Vostok1 Gagarin seria o primeiro homem a conquistar o espaço, dando uma volta completa em órbita circundando o planeta e proferindo a histórica citação: A Terra é azul no seu vôo de 108 minutos.

O regresso à Terra seria atribulado, os cientistas russos falharam os cálculos da trajectória da nave tendo o cosmonauta soviético aterrado a mais de 320km do local previsto. Apesar de ninguém estar a recebê-lo, Gagarin tornar-se-ia um herói soviético, vindo de família de camponeses o regime comunista tinha aqui o melhor protagonista para a sua tão importante máquina de propaganda.

Promovido de tenente a major quando se encontrava em órbita, Gagarin privou com reis e raínhas, presidentes, multidões, pensadores, artistas e cientistas de todo o mundo, mas seriam as imensas multidões humanas que conquistariam o coração do cosmonauta. Durante este périplo por quase todo o mundo e na sequência do seu feito, Yuri Gagarin visitaria a fábrica da Matra em França (em 1965) que na altura além de belos automóveis desportivos produzia também mísseis e equipamento aero espacial. Como sinal de agradecimento os responsáveis da marca francesa, hoje extinta depois de adquirida pela Renault, presentearam Yuri Gagarin com um Matra-Bonnet D-Jet VS que seria entregue ao russo apenas no seu regresso à pátria-mãe. Pintado na cor azul celeste, o Matra-Bonnet D-Jet VS aguardava-o no jardim da embaixada francesa, todavia o também piloto da Força Aérea Soviética apenas o utilizaria algumas vezes  já que não se sentia bem com o facto de utilizar um carro luxuoso. Hoje este exemplar pensa-se estar numa colecção privada na Lituânia.

Gagarin morreria aos 38 anos, a 27 de Março de 1968, na sequência de um acidente num avião Mig 21 quando desempenhava as suas funções de formador de pilotos. As causas do acidente nunca foram convincentes, aventando-se várias hipóteses desde a turbulência de um avião interceptador Sukhoi Su-11, à colisão com pássaros, sendo que registado em documentos classificados do antigo KGB e revelados em 2003 está a manobra brusca do piloto Gagarin a fim de evitar a colisão com um balão meteorológico. Gagarin seria chorado por milhões de pessoas, tal como acontece com os heróis!

Galeria de fotos Moscovo adora Gagarin

Este é um dos 1495 Matra D-Jet Bonnet produzidos. Equipado com o mesmo motor do Renault 8 Gordini, de 1108 cc e 80cv, atingia com relativa facilidade os 190km/h, uma velocidade relativamente reduzida para Gagarin quefrequentemente ultrapassava a barreira do som.

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