Os carros que Chernobyl enterrou

Ucrânia, Pripyat é um nome desconhecido da maioria das pessoas, mas se o associarmos à proximidade com a central nuclear de Chernobyl rapidamente será conhecido como a cidade fantasma evacuada em contra-relógio. Estávamos a 26 de Abril de 1986, o que outrora era uma cidade modelo do comunismo, um feudo de modernidade e um poço de esperança para as gerações vindouras, em contraste com um país vasto e afecto ao modelo de economia agrícola que caracterizava a antiga União Soviética, Pripyat rapidamente tornou-se e terra de ninguém, apenas ocupada pelo vento que ainda arrasta o veneno invisível da radiação.

Se hoje vivemos com apreensão o problema da central atómica japonesa de Fukushima, em 1986 os ecos da antiga União Soviética traziam pormenores escassos, filtrados pela cortina de ferro que ainda deixou alastrar radiação para países vizinhos, chegando os danos colaterais a serem sentidos na Alemanha, numa URSS que mostrava as debilidades e constrangimentos da falta de modernidade. Durante as mega-operações de rescaldo que mobilizaram milhares de militares, bombeiros e voluntários de toda a Ex-URSS foram utilizados milhares de veículos, desde helicópteros a blindados, passando por carros de bombeiros, ambulâncias, gruas, betoneiras, os autocarros que transportaram milhares de pessoas nas operações de evacuação de uma cidade que em poucas semanas passou de 50.000 habitantes (na sua maioria jovens já que a média de idades era de 26 anos) a poucas centenas de liquidadores: os voluntários forçados de minimização dos danos da central atómica.

A rede de transportes de Pripyat era composta por 147 autocarros que no dia imediato à explosão foram requisitados para a mega-operação de transporte da população, hoje todos eles agonizam em morte lenta numa sucata a que podemos chamar de verdadeiro cemitério de automóveis improvisada num então modelar estádio de futebol.

O nível de radiação a que foram expostos estes veículos fez com que tivessem de permanecer no imenso território fantasma do perímetro de segurança criado pelas autoridades, tendo alguns deles sido inclusive enterrados dada a sua perigosidade. Os veículos podem ser dividos em 3 grupos:

1. Os que circulavam antes do acidente: carros de bombeiros, automóveis pertencentes às populações próximas, e máquinas pertencentes à central nuclear bem como de construção civil.

2. Diverso equipamento que trabalhou na liquidação: veículos militares (camiões, helicópteros, blindados e tanques) bem como autocarros e robots. Grande parte dos veículos pertencentes a esta divisão foram enterrados em locais específicos, os menos contaminados pela radioactividade foram depositados na aldeia de Rassoha, nas imediações e sob a guarda dos soldados soviéticos que patrulhavam a zona, aguardando que fossem reciclados. Hoje este local é um simples descampado.

3. Os que serviram a zona depois do acidente: diferentes tipos de camiões, comboios, autocarros bem como os automóveis necessários para o patrulhamento e segurança do perímetro.

Ainda hoje e se se deslocar a Pripyat é frequente ver alguns dos famosos Moskvitch e GAZ(carros populares e característicos da Rússia comunista) , autocarros Laz e Kavz, bem como camiões Kraz de fabrico Ucraniano.

 

Os carros de Chernobyl

A sucata de Chernobyl.

Regresso a Chernobyl.

Testemunho e fotografias de um dos liquidadores.

As páginas da Wikipedia referentes ao acidente de Chernobyl e Pripyat são igualmente óptimas fontes de informação, bem como ponto de partida para outros sites elaborados sob a temática.

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