Segundo o Observatório da Segurança das Estradas e Cidades, as estradas portuguesas contam com «defeitos gravíssimos» , sendo as mesmas responsáveis por mais de 50% dos acidentes de viação.
A audição de Nuno Salpico, presidente do Observatório da Segurança das Estradas e Cidades (OSEC) no grupo de trabalho sobre segurança rodoviária da Assembleia da República, colocoui em evidência factos preocupantes que dão conta de cinco a seis defeitos nos traçados das estradas portugueses, entre eles, curvas com ângulos reduzidos e inclinação (relevé) desfavorável estão entre os erros mais frequentes.
Apesar de os condutores serem responsáveis por uma condução segura, Nuno Salpico, alerta que a construção das estradas «com defeitos muito graves» pode induzir na ocorrência de acidentes, alertando que enquanto não for encontrada solução para este problema será difícil fazer reduzir o número de acidentes em Portugal. Apesar de sermos um país pequeno e cuja mobilidade rodoviária assenta principalmente em auto-estradas, de construção com menor número de defeitos, o trânsito em Itinerários Principais (IP) e Itinerários Complementares (IC) acrescenta um maior risco dada a elevada probabilidade de defeitos das vias.
Em declarações à agência Lusa, o presidente do OSEC, afirmou que a actual opção dos portugueses pelas estradas nacionais, como modo de poupança em relação à cobrança de portagens, sejam elas nas antigas SCUT ou até mesmo auto-estradas, eleva o risco de acidentes. Recorde-se que Portugal nos últimos anos deixou caír quase no esquecimento a rede viária principal, constituída por Estradas Nacionais, colocando-a à margem de obras de actualização e conservação, para passar a ter uma rede de auto-estradas, hoje quase todas com custos para o utilizador. O elevado risco de circulação nestas estradas deve-se a factores importantes como a não uniformização das regras de construção de passagens pedonais por parte das autarquias, sublinhando o responsável que «cada município tem as suas regras para a construção de passadeiras.»
O Governo tem agendado para breve alterações ao actual Código da Estrada, tendo Nuno Salpico defendido que deverá ser estabelecida uma regulamentação para a construção de passadeiras, já que em Portugal as mesmas ou não existem ou estão mal posicionadas (por exemplo junto a paragens de transportes públicos, cruzamentos e entroncamentos) e em locais de fraca visibilidade quer para automobilistas, quer para peões.
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