VCI do Porto lidera ranking dos pontos negros das estradas nacionais

A VCI (A20) no Porto é a estrada portuguesa que conta com mais locais perigosos, tecnicamente designados como ‘pontos negros’ pela ANSR. Em 2012 registaram-se 58 acidentes em que estiveram envolvidos um total de 101 veículos, causando 1 ferido grave e 69 feridos ligeiros nesta via rodoviária nacional. Ao longo do seu traçado, que liga as duas travessias do rio Douro, entre a Ponte do Freixo e a Ponte da Arrábida estão 41 locais identificados como de grande sinistralidade.

Nó de Francos (km 16)

Este nó que foi totalmente reformulado em 2004 a tempo da realização do Campeonato da Europa de Futebol Euro 2004 é um dos pontos onde são registados elevados números de tráfego, e inevitáveis congestionamentos. A renovação deste nó aconteceu de forma a melhorar a acessibilidade quer à zona da Boavista (Porto) e concelho de Matosinhos, assim como proporcionar uma melhor ligação à autoestrada do norte litoral A28, também ela utilizada por muitos espanhóis. Neste nó, que conta com diversos viadutos, registaram-se em 2012 7 acidentes graves que originaram 9 feridos graves.

Nó do Regado (km 15)

Diariamente são mais de 230 mil veículos que utilizam este nó de acesso à VCI, servindo os utentes dos concelhos mais a norte como a Maia, Trofa e Famalicão, sem esquecer os provenientes da antiga N13. Recentemente alvo de obras de remodelação, datadas de 2005, assume-se como um dos principais pontos negros da VCI. A saída da VCI para a N14 e 12 (Estrada da Circunvalação), feita através de um viaduto em curva, terá algo de ‘especial’, provavelmente um problema na via que origina um elevado número de acidentes nomeadamente nos dias de chuva. Em condições de aderência reduzidas são frequentes os despistes nesta via junto à passagem inferior sobre a VCI. Até ao momento nenhuma correção foi efetuada numa infraestrutura que custou cerca de 5 milhões de euros em 2005.

no do regado vci

Nó de Paranhos (km 13)

Para quem sai da cidade do Porto e entra na VCI em direção à Ponte do Freixo ou A3/A4, existe um perigoso entroncamento de vias. Situado numa descida de inclinação acentuada, a interseção com a via proveniente da zona do Hospital de São João / Pólo Universitário, registou no passado ano mais de 9 acidentes, dos quais resultaram 1 ferido grave e 11 feridos ligeiros. A visibilidade reduzida juntamente com a cedência de prioridade existente na via que tem origem junto à Igreja de Paranhos nessa mesma interseção afigura-se como a principal causa de acidentes.

no de paranhos

Entre o nó de Paranhos e a saída para a A3 (km 13,5)

Esta zona de elevado congestionamento de tráfego a qualquer hora do dia, é também ela uma fonte de sinistralidade automóvel. A utilização irregular das 5 vias existentes, juntamente com manobras mal sinalizadas por parte dos condutores originaram em 2012 11 acidentes que causaram 2 feridos graves e 9 feridos ligeiros.

no paranhos a3

Nó de acesso à A3

Ponto chave na estratégia da ligação rodoviária do Porto ao Norte de Portugal, o nó de acesso a A3 regista igualmente elevados números de sinistralidade causados por erros de projeto. Quem circula na VCI no sentido Freixo Arrábida depara-se com um estrangulamento depois do nó das Antas de três para apenas duas faixas. A curva situada por baixo da ligação à A3 é também causadora de muito acidentes provavelmente devido ao seu raio e relevê inadequados. Já no sentido contrário, o pequeno raio da curva de acesso à A3 origina igualmente bastantes acidentes e despistes nomeadamente em condições de aderência reduzidas (dias de chuva). A entrada na VCI do tráfego proveniente da A3 é também causadora de graves problemas de circulação. A reduzida faixa de aceleração situada em plena curva é fator potenciador de colisões nomeadamente nas horas de maior movimento. A proximidade com a saída para o nó das Antas, também ele com elevado registo de tráfego, auxilia este potencial causador de acidentes com a mudança de faixa dos condutores a fazer-se de forma quase caótica e desordenada.

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Nó das Antas (km 12)

Fruto de algumas alterações introduzidas no projeto inicial este nó não se encontra totalmente concluído. A pressão imobiliária ditou que na zona da antiga Avenida D.Manuel II o nó não fosse concluído na sua forma de ‘trevo’. Através destas modificações forçadas o acesso do trânsito proveniente da Avenida Fernão de Magalhães é feito de forma lenta e complicada. No viaduto superior, saturado de semáforos e cruzamentos, o acesso à VCI para o sentido Freixo-Arrábida é feito de forma caótica. Causadoras destes factos está a reduzida faixa de aceleração e a proximidade da saída para a A3.

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Zona entre o nó das Antas e o nó do Estádio do Dragão

A circulação no sentido Arrábida-Freixo vê-se frequentemente afetada pelo elevado número de despistes que aqui acontecem. A curva inicial para a direita juntamente com o relevê inadequado estão na origem do elevado número de sinistralidade que aqui ocorre.

 

Nó do Estádio do Dragão

Para quem circula no sentido Arrábida-Freixo a saída para o Estádio do Dragão regista também um grande número de acidentes. Os despistes são frequentes quando as condições de aderência do piso sofrem alterações em virtude das condições climatéricas. A junta de dilatação metálica colocada à saída do viaduto da VCI, juntamente como uma curva com relevê inadequado ao qual se adiciona uma descida de considerável inclinação estão entre as principais causas. Aqui já foram feitas obras de tentativa de minimização desta conjugação de efeitos, todavia sem grande sucesso.

no do estadio dragao

Zona entre o nó de Campanhã e o nó do Freixo

As ondulações presentes no piso desde a data de abertura deste troço final da VCI, o último a estar concluído, às quais se juntam o sinuoso traçado são por si só o principal fator de sinistralidade neste sector. Aqui são frequentes os acidentes muito graves, quer com automóveis ligeiros, quer envolvendo veículos pesados. Em alguns acidentes chega a acontecer a transposição dos veículos para as vias do sentido contrário. Um os fatores causadores de acidentes aqui é também o facto desta ser uma descida com grande inclinação.

no do estadio dragao no de bonjoia

Radares inoperacionais

A VCI foi a primeira via nacional a contar com a presença de radares de velocidade fixos. Configurados para detetar violações à limitação de velocidade da Via de Cintura Interna (velocidade máxima de 90 km/h) existem 2 pórticos em cada sentido dispersos no traçado. O primeiro radar iniciou a sua operação em 2002, estiveram em funcionamento cerca de cinco anos, até que um conflito de responsabilidades envolvendo as Estradas de Portugal, Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, Câmara Municipal do Porto entre outros ditou o ‘abandono’ destes poderosos auxiliares na regulação da velocidade numa das vias mais congestionadas de Portugal.

Até à data, e segundo a Câmara Municipal do Porto, o recorde de velocidade mais alta detectada por um dos radares da VCI foi de 245 km/h. No ano de 2007 os radares detectaram mais de 430 mil infrações.

 

 

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