A fantástica história do Mercedes de Nelson Mandela

Nelson Mandela, histórico Nobel da Paz deixou-nos aos 95 anos. Advogado sul-africano desde os seus primeiros anos de carreira que apreciou automóveis, mas hoje mostramos aqui o carro mais especial, aquele que o líder da resistência anti-Apartheid utilizou na emblemática saída em liberdade depois de 27 anos de vida como preso político.

Em 1990 já se começava a falar na libertação dos presos políticos na África do Sul, e a fábrica da Mercedes em East London avançou com a ideia de oferecer um Classe S novo a Mandela. Mas se à partida este pode parecer um qualquer Mercedes topo de gama da época, a sua história é peculiar, o carro foi construído em apenas 4 dias, e somente durante as horas vagas dos empregados e chefes da fábrica britânica.

Este ato, repleto de simbolismo para com o líder sul africano, deixou muitos indignados, já que ainda não se sabiam muitos pormenores de como a libertação de ‘Madiba’ iria acontecer, e também porque o Apartheid continuava implementado no país.

Recuando um pouco mais no tempo, esta fábrica da Mercedes, um braço de uma enorme organização alemã, foi também palco de uma outra controvérsia, já que em meados dos anos 80 decidiu ser a primeira empresa ligada ao ramo automóvel e reconhecer formalmente uma união de trabalhadores de raça negra: a NUMSA – the National Union of Metalworkers of South Africa (União Nacional de Metalomecânicos da África do Sul).

Aliás, seria a NUMSA a propor à administração da Mercedes a oferta de uma prenda de luxo a Nelson Mandela como forma de celebrar a sua libertação da cadeia. Estavam criadas todas as condições para o nascimento do emblemático Mercedes W126 S 500 vermelho. Relativamente ao Mercedes de Mandela as opiniões dividem-se, uns afirmam que está equipado com um motor V8, outros inclinam-se sobre a teoria de que tem um V6. O que é certo é que com todo o empenho que os trabalhadores tiveram na produção desta oferta simbólica o motor será quase certamente um V8 de 5 ou 5,6 litros.

O carro de Mandela inclui ainda outros pormenores distintos. A placa do chassis tem a bandeira da África do Sul e o seu nome, e contribuindo um pouco para a lenda diz-e também que este é o melhor Mercedes que alguma vez saiu da fábrica de East London, para ser oferecido no dia 22 de juho de 1990 no Estádio Sisa dukasha em Mdantsane, perto da fábrica da Mercedes.

A entrega das chaves foi feita por Philip Groom, que ainda hoje é empregado da Mercedes-Benz, e que na altura recorda a emoção de entregar as chaves ao líder diante de uma plateia de mais de 30 mil pessoas. Com os nervos à flor da pele, o sr. Groom chegou mesmo a pedir ajuda ao pai para o ajudar a escolher as palavras que iria dizer ao grande líder. Nascia assim uma grande amizade entre Madiba e a Mercedes-Benz da África do Sul.

O Mercedes Classe S vermelho de Mandela chegaria à reforma 8 anos mais tarde, em 1998, quando o Presidente da Daimler Chrysler AG anunciou um avultado investimento de 1 bilião de rands na fábrica de East London. O anúncio foi feito com Mandela ao lado, que nesse mesmo dia recebeu um novo Classe S.

O Mercedes S500 vermelho é hoje parte integrante da exposição permanente do Museu do Apartheid em Joanesburgo, mantendo a sua chapa de matrícula personalizada: 999 NRM GP, em que NRM são as iniciais de Madiba, ou Nelson Rolihlahla Mandela.

Até mesmo com os carros a história de Mandela não deixa de ser apaixonante.

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