20 anos depois Senna é um ícone do mundo

Passam hoje 20 anos sobre a fatídica corrida do Grande Prémio de San Marino, a mesma onde o tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna da Silva perdeu a vida. Senna partiu da ‘pole position’, algo em que era perito e que lhe valeu por muito tempo um recorde na F1 que seria batido por Michael Schumacher. Senna conseguiu saír por 65 vezes da primeira linha da grelha de partida nos 165 Grandes Prémios que correu. Logo na partida um incidente com o português Pedro Lamy a abalroar o carro imobilizado do finlandês JJ Lehto ditou que entrasse em pista o Safety Car, um Opel Vectra com Max Angelleli ao volante e que manteria a corrida em ordenada formação até à 6ª volta. A última comunicação de Senna com a equipa via rádio foi um simples ‘Obrigado’ ouvido por David Brown que o avisou de que o Safety Car estava a entrar nas boxes. Senna precipitou-se contra o muro da rápida curva Tamburello no seu monolugar Williams, decorado com as cores da tabaqueira Rothmans, a cerca de 305 km/h. A causa deste despiste é ainda hoje desconhecida.

As imagens que chocaram o mundo

O mundo sustinha a respiração, em direto, tal como se todas as televisões tivessem ficado com a imagem congelada, ao ver o campeão prostrado no interior do mutilado monolugar Williams. A chegada da equipa de assistência médicaliderada pelo médico da F1 Dr. Sid Watkins, que o havia aconselhado a não participar na véspera depois do acidente mortal do austríaco Roland Ratzenberger (saber tudo aqui), nem assim confortou o receio pelo pior. Seguiu-se a evacuação por helicóptero do Circuito Enzo e Dino Ferrari para um hospital nos arredores de Bolonha. Mais tarde chegaria a confirmação: morria Senna, e o mundo parava há 20 anos atrás.

Dias depois Senna foi recebido como um herói que era na sua terra natal. Desde os momentos da chegada do corpo ao aeroporto, atè à sua morada final no cemitério do Morumbi (Guarujos, arredores de São Paulo), Senna foi seguido de perto por milhões de brasileiros, e à distância de um ecrã por gente de todo o mundo tornando-se num símbolo mundial.

Os livros lançados em Portugal sobre Senna

Senna inspirou centenas de livros, em Portugal destacamos as obras de Francisco Santos, lançada meses depois do fatal acidente sob o título “Ayrton Senna do Brasil” e de Rui Pelejão (atualmente a chegar às livrarias) “A Paixão de Senna”. Ainda traduzida para português a obra do Dr. Sid Watkins editada no nosso país pela Talento “Viver nos Limites”.

Senna nos jogos para consolas

Senna havia também estado na base da inspiração de um grande êxito dos videojogos. O jogo Super Monaco Grand Prix II é tributo merecido ao campeão. Lançado em 1992 pela Sega para as consolas MegaDrive e MasterSystem é hoje um jogo de culto pela famosa capa. Nos dias de hoje o melhor simulador de automóveis para consolas Sony Playstation Gran Turismo 6 acaba de lançar uma atualização de forma a permitir aos fãs conduzirem os carros de Senna.

Os media choraram Senna no dia da sua morte

A morte de Senna marcou a atualidade no dia 2 de maio de 1994. De todos os pontos do mundo diversas foram as reações à morte do campeão. As revistas da especialidade abriram com o trágico acidente, seguiram-se mais capas sobre as causa do acidente e as investigações sobre a morte do ídolo brasileiro. O mediatismo de Senna tornou-o numa espécie de pequeno Deus, as suas frases motivacionais sobre a competição, sobre as corridas, sobre a vida e a sua ligação com Deus. Com isto os jornais, revistas, televisões e rádios de todo o mundo não esqueceram Ayrton, celebrando ano após ano, com o merecido destaque de páginas inteiras, capas e honras de abertura de espaços noticiosos as passagens dos anos sobre a data da sua morte. Até mesmo a americana revista Time, uma das mais lidas em todo o mundo chorou a morte de Senna.

Senna aos quadradinhos

A morte de Senna fez nascer uma fundação para proteção de crianças desfavorecidas cuja mascote é o ‘Senninha’. Por forma a alargar o espetro de atividades da fundação ainda em 1994 foi lançado o herói de banda desenhada Senninha. Hoje este jovem herói brasileiro está já no mundo digital, não apenas nas pequenas revistas de banda desenhada (algumas chegaram a ser vendidas em Portugal). Aprecie o mundo Senninha aqui!


Documentário, Google doodle, um cd de tributo e alguns livros

Há pouco mais de um ano passou pelos cinemas um documentário sobre a vida de Senna (saber mais aqui). Seguiram-se como seria de esperar bastantes livros, biografias, homenagens artísticas ao piloto, ao homem, ao ídolo que o mundo viu morrer num acidente em direto. Foi lançado um CD com 26 faixas com músicas de tributo assinadas por QueenTina Turner Lisa StansfieldPhil CollinsChris ReaMilton NascimentoKarla Bonoff Pink Floyd Enya. Entre as faixas, algumas delas originais, é possível encontrar ainda testemunhos de Martin Brundle (piloto inglês) e de Murray Walker (comentador de F1 da BBC) e do próprio Ayrton Senna. Hoje, e como parte da comemoração dos 20 anos da morte de Senna a companhia aérea brasileira Azul inaugurou um avião com decoração original que traduz a imagem do capacete do piloto. 

O funeral que impressionou o mundo

O governo brasileiro declarou três dias de luto nacional pela morte de Senna. Ao contrário da política aeronáutica civil o corpo do piloto foi repatriado três dias depois a bordo da cabine de um McDonell Douglas MD-11 da companhia aérea brasileira Varig (PP-VOQ (cn 48435/478)), acompanhado pelo seu irmão mais novo Leonardo e dos seus amigos mais próximos. O caixão do piloto fez toda a viagem coberto com uma enorme bandeira brasileira.

A televisão brasileira transmitiu em direto, para vários países, o funeral de Ayrton. Nas ruas o cortejo foi seguido de perto por cerca de três milhões de pessoas que estreitaram as largas avenidas paulistas por onde passou o cortejo, com o caixão com o corpo de Ayrton a ser transportado por um camião dos bombeiros. Entre os presentes no funeral de estado de Senna estiveram pilotos como Alain Prost, Gerhard Berger, Jackie Stewart, Damon Hill, Rubens Barrichello (o afilhado de Senna) e o compatriota Emerson Fittipaldi tendo alguns deles ajudado a levar Ayrton até à sua última morada. A família proibiu a presença de Bernie Ecllestone, patrão da modalidade e Max Mosley, à data presidente da FIA, não esteve presente no funeral de Senna mas sim de Ratzenberger em Salzburgo (Áustria). Dez anos mais tarde Mosley justificou em conferência de Imprensa a sua ausência com a seguinte declaração «todos haviam ido ao funeral de Senna, por isso achei importante acompanhar o do Roland Ratzenberger.» Senna seria sepultado no cemitério de Morumbi Cemetery em São Paulo. A lápide da sua campa conta com a inscrição: “Nada pode me separar do amor de Deus”.

NO Grande Prémio do Mónaco de 1994, prova que se seguia ao Grande Prémio de San Marino, a FIA deixou em medida inédita as duas primeiras linhas da grelha livres e pintou o chão com as cores da bandeira brasileira e austríaca, em memória de Ayrton Senna e Roland Ratzenberger.

A morte de

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