Avro Vulcan o impressionante avião inglês da Guerra Fria voltou a rasgar os céus

O Avro Vulcan é um dos aviões mais imponentes do período da Guerra Fria e voltou a rasgar os céus perante um universo revivalista no Festival da Velocidade de Goodwood no passado fim de semana. Nascido em plena ameaça global de ataques nucleares entre o mundo ocidental e o antigo bloco comunista este bombardeiro desapareceu dos céus depois das missões na Guerra das Malvinas (Falkland) no limiar da década de 80.

O Avro Vulcan foi o primeiro bombardeiro a ter as asas em forma de delta. O longo alcance desta aeronave, cujo desenvolvimento arrancou nos Anos 50, dava à Grã-Bretanha a possibilidade de fazer um ou dois bombardeios sobre a antiga União Soviética. Esta necessidade nunca se chegou a verificar, tendo o Avro Vulcan desempenhado missões menores até à guerra que envolveu a Argentina e o Reino de Sua Majestade na década de 80, diferendo bélico sobre a soberania das Ilhas Malvinas.

A sua forma, que ensombra quem o olha a partir de terra firme, fez-lhe merecer a alcunha de «triângulo de lata», um design exclusivo que demonstrava a sua eficiência a altas velocidades. O Vulcan podia voar a 930 km/h a 50.000 pés de altitude (15.240 m) e ser reabastecido em vôo dando-lhe uma autonomia virtual ilimitada. A sua entrada ao serviço aconteceu em 1956 e assim se manteve, afeto à força de impedimento nuclear da RAF (Royal Air Force), até 1969. Os avanços tecnológicos nos misseis soviéticos tornaram este caça obsoleto como bombardeiro nuclear, já que apenas podia voar a grandes velocidades e altitudes. A Guerra das Malvinas em 1982 traria o Avro Vulcan para a ribalta como força de combate aéreo contra a Argentina. Para esta reentrada ao serviço a RAF operou rapidamente um grande número de alterações ao design, passando o avião britânico a permitir transportar bombas de 450 kg. A atualização visou também a introdução de novas tecnologias como o sistema anti-radar e algumas afinações nos reatores de forma a descolar com mais segurança já que o peso havia sofrido alteração significativa. Esta revisão durou apenas dois meses.

A frota de Vulcan da RAF tinha 134 aeronaves que foram rendidos no serviço ainda em 1982. Os Avro Vulcan foram abatidos quase na sua totalidade em fornos siderúrgicos, tendo muitos deles servido para treino e formação de bombeiros. A RAF todavia guardou alguns destes aviões para a posteridade, incluindo o Xh588 que no passado fim de semana sobrevoou Goodwood. O XH588 foi vendido em 1993 pela Força Aérea Britânica à organização sem fins lucrativos ‘Vulcan to the Sky Trust’.

Voltar a fazer voar um avião obsoleto é uma operação complicada, sobretudo pela escassez de peças e onerosos trabalhos de manutenção mais profunda e exaustiva. A organização precisou de angariar 10 milhões de euros para voltar a lançar nos céus esta temível fortaleza em agosto de 2007. Ainda que com poucas horas de vôo o Avro Vulcan XH788 só poderia voar até 2013, mas um financiamento relâmpago de 700 mil euros para modificação e renovação das asas permitem manter este pedaço de história nos céus de algumas e privilegiadas exibições aéreas.

avro vulcan

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *