Citroën CX nasceu há 40 anos. Um clássico que revolucionou a indústria dos automóveis.

O Salão do Automóvel de Paris assistiu há 40 anos ao nascimento do CX, o ID/DS (‘boca de sapo’) do futuro. Topo de gama de ministros e presidentes de muitas nações europeias, o Citroën CX continuou a tradição da marca francesa em introduzir avançadas e sofisticadas inovações na indústria automóvel. Apesar de não reunir uma legião tão grande de fãs como icónicos e populares modelos da marca do ‘double-chevron’ dos quais se destacam os modelos Traction Avant (‘Arrastadeira’), ID/DS (‘Boca de Sapo’) e 2cv. Como foi tradição durante uma grande parte do percurso histórico da Citröen também o CX recebeu soluções inéditas e vanguardistas. Verdadeiro ‘salão sobre rodas’ o CX inaugurou as motorizações turbodiesel na Citroën e uma importante evolução da suspensão hidropneumática que é ainda hoje porta-estandarte da marca, a gama CX contava ainda com uma versão de alta performance com a designação GTI.

Em 1974 o CX 2000 revolucionou os padrões que as marcas ofereciam nas suas gamas de modelos. Não foi difícil para a Citroën consolidar a imagem de oferecer um automóvel capaz de proporcionar índices muito altos de conforto, ergonomia e comportamento dinâmico. Estes atributos fizeram valer ao CX vários galardões entre eles o Carro do Ano, o Prémio de Segurança e o Prémio de Estética Automóvel no seu primeiro ano no mercado.

Com o design a cargo de Robert Opron(biografia aqui), o CX apresentava uma longa carroçaria com 4,63 metros de comprimento e dois volumes, com um vidro traseiro ‘sui generis’ dada a sua forma côncava. Mecanicamente, e em contexto de crise petrolífera mundial a Citroën demonstrou que o lançamento de um topo de gama poderia acompanhar as exigências de uma nova realidade. Com custos de utilização mais baixos a motorização turbodiesel do CX revolucionou o paradigma dos automóveis utilizados pelos chefes de estado e diplomatas. O papel desempenhado pela estética futurista à época surge aliado à eficiência do automóvel já que o CX apresentava um coeficiente aerodinâmico (Cx) bastante reduzido por comparação com outros automóveis idênticos existentes no mercado.

A progressão do CX no mercado continuou, a par com o desenvolvimento de novas versões. Em 1975 a versão de carroçaria station wagon que podia ter sete lugares completou a gama do CX que em 1977 receberia o desportivo CX 2400 GTI com motor equipado com injeção eletrónica que foi um dos automóveis franceses mais rápidos. Para ir ao encontro das altas exigências de chefes de estado, incluindo os portugueses, a Citroën voltou a surpreender em 1978 com o CX Prestige que tinha um chassis 28 cm mais comprido.

Com uma estética distinta e com escolhas tecnológicas de vanguarda o CX recebeu os maiores elogios pelo conforto que proporcionava. O trabalho desempenhado pela suspensão de altura constante hidropneumática, princípio herdado do DS e aprimorado no CX proporcionava também um comportamento dinâmico ímpar para um carro com estas caraterísticas (tamanho grande e peso elevado). O CX recebeu também a direção assistida que o coupé SM estreou em 1970, este sistema caraterizava-se por regressar ao ponto neutro de forma automática. O conversor de binário C-Matic estreou na indústria automóvel um sistema de embraiagem automática que permitia libertar mais espaço na zona dos pedais já que o habitual terceiro pedal não existia. O design do posto de condução refletia as preocupações da Citroën em termos de ergonomia. Através de diversos satélites o condutor podia aceder a um muito alto número de comandos sem tirar a mão do volante. A ousadia deste modelo foi refletida numa das últimas publicidades da marca, quando já próximo do fim da carreira do CX a Citroën escolheu a cantora Grace Jones para um dos mais marcantes spots da indústria automóvel(ver vídeo abaixo).

O sistema de travagem antibloqueio ABS, uma inovação tecnológica da Bosch, surgiu pela primeira vez num carro de marca francesa com o CX no ano de 1985.

No desporto a Citroën fez alinhar alguns modelos CX 2400 GTI no Campeonato do Mundo de Ralis entregues a pilotos de renome.  A estreia em competição do grande topo de gama aconteceu em 1977 no Rali do Senegal. Para conduzir este carro com 185 cv de potência e 1260 kg de peso, a Citroën escolheu o francês Jean Paul Luc. O português Francisco Romãozinho e o reputado piloto francês Jean Pierre Nicolas tiveram também hipótese de conduzir este carro que no seu palmarés conta com um grande número de desistências.

A carreira do CX terminou em 1991 para dar lugar ao menos inovador XM. Ao longo da sua brilhante e emblemática carreira vendeu mais de 1,2 milhões de unidades, uma tremenda marca de sucesso na história da marca do ‘double-chevron’.

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