Fiat celebra meio século de 124 Spider

Há precisamente 50 anos a Fiat apresentava aquele que seria um dos mais belos descapotáveis de toda a história do automóvel, o 124 Spider. Este modelo fez furor na Califórnia e assombrou os ralis mundiais com pilotos como Markku Alen, estando agora de regresso ao portefólio de modelos da marca italiana. Volvido meio século a marca volta a dar destaque à reinterpretação deste histórico automóvel clássico, o 124 Spyder regressou para conquistar corações em todo o mundo, tal como se exige a qualquer sedutor italiano.

A história do Fiat 124 Spider começa no 48º Salão do Automóvel de Turim. Mostrado em casa, em pleno ano de 1966, a Europa vivia um período de extaziante euforia, dando por vencido o pesadelo da recuperação do pós-guerra. A produção de automóveis aumenta 8% em Itália e os investimentos somam-se para atualizar e desenvolver unidades de produção industrial para conseguir satisfazer a procura que não parava de crescer. O stand da Fiat mostrava novidades brilhantes além deste roadster de culto: o Fiat Dino, herdeiro direto do Ferrari com o mesmo nome, atraía desejos, que acabariam por se concretizar no modelo que chegava para encerrar a gama 124. O 124 Spider apresentava a evolução da Fiat entre os descapotáveis, sucedendo a modelos de sucesso como o 1100 Spider de 1954, o 1200 e o 1500 Bialbero de 1958, o 1500 S e o 1600 S de 1961. A mensagem para o novo carro era diferente, prometia o mesmo preço acessível de sempre, mas ainda assim dilatando o caráter desportivo e um verdadeiro ícone que continha assinatura de peso do designer Pininfarina.

 

 

Foram poucos os retoques para o “american dream” e a estreia da segunda série

Em 1966, ao som de “The Mamas and The Papas”, vivia-se o sonho de fugir de um céu cinzento para respirar o ar de liberdade de uma nova era na Califórnia.
Entretanto, para obter uma boa resposta do mercado, a Fiat decidiu trabalhar na evolução do modelo que, em 1968, desembarcou nos Estados Unidos. Os americanos ficaram fascinados com as proporções e com o estilo marcadamente italiano do Spider, tal como com a capota, que podia ser aberta directamente a partir do lugar do condutor com grande rapidez e simplicidade. Em Outubro de 1969, sempre no Salão do Automóvel de Turim, estreou, no âmbito de uma renovação global da gama, a verdadeira segunda versão. Mantinha a tracção traseira e todas as sensações de condução tipicamente desportivas, embora fossem cada vez mais numerosas as viaturas que adoptavam tracção dianteira e que se estrearam exactamente durante aquela edição do Salão.

 

Podia ser equipado com o tradicional motor 1.4 ou com o novo motor 1.6. Sempre de quatro cilindros, com duas árvores de cames à cabeça, era alimentado por dois carburadores de duplo corpo verticais: a cilindrada aumentava para 1608 cm3 e as prestações eram ainda mais brilhantes: debitava 110 cv e permitia atingir 180 km/h de velocidade máxima. O sistema de travagem era de circuito independente. Esteticamente, apresentava nova grelha do radiador com forma em favo de mel. A diferença mais evidente era proporcionada por duas significativas saliências de forma oval, uma espécie de “bossas” sobre o capô dianteiro, destinadas a alojar o maior volume do novo motor. Na traseira, mudavam os grupos ópticos, que incluíam a luz de marcha-atrás. Pneus radiais e capota impermeabilizada enriqueciam o equipamento de série e, como opcional, era possível dispor dehard-top e de jantes de liga leve. Sempre em Outubro de 1969, Lucio Battisti cantava “Mi ritorni in mente/ bella come sei/ forse ancor di più” (Recordo-te/assim tão bela/talvez mais do que nunca); não era dedicada ao Fiat 124 Spider, mas poderia ter sido. O roadster evoluía permanecendo fiel a si mesmo, com a sua linha elegante assinada Pininfarina, continuando a granjear sucesso: entre 1969 e 1972, foram produzidas cerca de 27.000 unidades do modelo.

Três anos depois a Fiat mantinha todos os ingredientes e apresentava a segunda série do 124 Spider. A excelente performance de vendas da primeira geração garantiu 25.000 unidades, tendo a Fiat introduzido novos motores em 1969, pouco depois de ter levado até solo americano o roadster que de imediato seduziu o público californiano virado para o surf e para o sol.

Mantendo o seu bom ritmo de aceitação por parte do público o Fiat 124 foi novamente atualizado em 1972 agora com a incorporação da versão Abarth Rally, que servia de base aos ralis. Esta é, ainda hoje uma das mais caras versões do 124 Spider, que conta com motor mais potente, tejadilho e capô em fibra de vidro, portas em alumínio e que tão bons registos assinalou no Campeonato do Mundo de Ralis, como por exemplo o monopólio do pódio do Rali Tap de Portugal de 1974. Em 1975 o modelo veria rendidos os seus serviços para o mais moderno 131 Abarth, modelo que dispunha de uma carroçaria berlina de três volumes mais ajustado para os regulamentos técnicos da época.

A carreira do Fiat 124 Spider todavia iria continuar até 1982 dedicada à exportação para os Estados Unidos. As linhas mestras do modelo mantinham-se, apesar de algumas adaptações forçadas para que os automóveis cumprissem a legislação local.

No final somvam-se mais de 200.000 unidades vendidas em todo o mundo, 75% das quais nos EUA, tornando o 124 Spider no primeiro modelo da Fiat com carreira global de sucesso.

50 anos depois o ícone regressou

Há muito que o regresso deste modelo emblemático da Fiat era aguardado. Depois de alguns anos de estudo, seria através de uma junção estratégica com a Mazda que a Fiat conseguiria recuperar o 124 Spider. O novo modelo, com soluções mecânicas e tecnológicas de vanguarda, mantém-se fiel à sua estética e também a toda a sua filosofia de condução dinâmica. Sedutor quanto baste, a Fiat voltou a surpreender ao oferecer um modelo neo-realista no mercado, depois do conceito iniciado com o popular 500.

Hoje em dia a Fiat vende o 124 Spider com motor 2 litros com 140 cv de potência e 240 Nm de binário máximo. A velocidade máxima cifra-se em 215 km/h de velocidade máxima, e a aceleração de 0 a 100 km/h cumpre-se em 7,5 segundos. Os padrões elevados de divertimento e dinamismo na condução são garantidos pela tração traseira e pelo equílibrio de massas cuidado.

 

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